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Agrícola da Ilha: História de uma família empreendedora e sua saga de amor pelos hemerocallis

Em 1987 o hemerocallis era considerado no Brasil uma planta sem valor paisagístico. A cultivar Hellen, a mais comum na região sul do país, era empregada rente aos muros das residências, apenas para preencher espaços desvalorizados, sem despertar maior interesse dos apreciadores de flores e de jardinagem.

Nessa época, Dario Bergemann já tinha uma carreira consolidada como contador de uma tradicional fábrica de tecidos para cama, mesa e banho na cidade de Joinville, Santa Catarina, e inquietava-se diante de um futuro profissional sem perspectivas. Conversou com família e amigos sobre suas dúvidas - queria encontrar novos desafios, empreender – mas não sabia que caminho seguir.

Apesar do temor de deixar o emprego estável, a ideia permaneceu em sua mente até que surgiu uma oportunidade. Um amigo e vizinho jardineiro estava prestes a se aposentar, e desejava transmitir seus conhecimentos e carteira de clientes para outro profissional.

Sem dinheiro, mas com o apoio da esposa Neusa e de seu filho, Dario se ofereceu para aprender as técnicas de jardinagem com o amigo, assumindo o pequeno negócio. Havia chegado o momento da mudança e início da trajetória da empresa Agrícola da Ilha.

O início da empreitada

A família Bergemann armou-se de coragem e determinação para enfrentar as primeiras adversidades. Entre outras situações, o dia a dia do jardineiro incluía refeições frias ao ar livre, um choque para quem estava acostumado ao ambiente de escritório.

Dario, porém, mantinha o sonho vivo, e quando suas forças foram postas à prova, transformou uma decepção numa grande ideia.

A Agrícola da Ilha foi contratada para plantar um jardim de hemerocallis especificamente amarelos. Dario comprou as mudas do fornecedor habitual e aguardou os resultados. Quando floresceram, descobriu que além dos hemerocallis amarelos havia outras cores, e foi preciso replantar.

Receber mudas de cores diferentes era um problema recorrente para a empresa. Os hemerocallis não eram produzidos em larga escala comercial no Brasil e o fornecimento de mudas puras era incerto. Enquanto refazia o jardim do cliente e contabilizava os prejuízos, Dario percebeu que a saída era garantir a qualidade dos produtos e serviços produzindo ele mesmo as mudas. Iria focar seus esforços no hemerocallis, tanto pela necessidade quanto pela oportunidade de mercado – pouca

concorrência entre produtores de uma planta com grande potencial paisagístico e baixa exigência de manutenção.

Até então (década de 1990) só existiam cinco cultivares de hemerocallis no Brasil: Hellen, Flore Pleno, Harriet, Sophia e Amália. Não havia literatura de referência disponível nem vislumbre da diversidade da espécie.

Começou então uma maratona para a família Bergemann: compreender o processo de produção, obter conhecimento científico e firmar contato com outros profissionais. Fundamental para o sucesso dessa empreitada foi a parceria com o Instituto Agronômico de Campinas, localizado em São Paulo, na pessoa do Dr. Antonio Fernando C. Tombolato, um pesquisador dedicado aos hemerocallis e a outras plantas ornamentais.

Nesse ínterim, Neusa, a esposa de Dario, recebeu como herança um terreno onde a Agrícola da Ilha se estabeleceu. Numa área de dez hectares foram criados campos de cultivo para hemerocallis e os demais produtos da empresa - gramíneas e agapantos -. Mais tarde os negócios diversificaram-se e a empresa passou a executar projetos de lagos ornamentais Ecosys.

Marco e decisão pelo melhoramento genético

Em viagem pelos Estados Unidos, Dario ampliou ainda mais as possibilidades de negócios para a Agrícola da Ilha a partir do incentivo que recebeu dos produtores norte-americanos e da American Hemerocallis Society. A verdadeira paixão pelos hemerocallis que observou neste país o inspirou a produzir novas cultivares e a criar um jardim para mostrar seu uso no paisagismo, e ainda a formar um círculo de colecionadores latino-americanos.

De lá trouxe 120 cultivares para utilizar como matrizes em cruzamentos, sendo que a primeira a nascer nos campos da Agrícola da Ilha foi a cultivar Bárbara. A partir daí a empresa não parou de investir no melhoramento genético e expandir o catálogo de cultivares brasileiras.

O resultado pode ser comprovado nas mais de 60 cultivares, que variam em diploides e tetraploides, com ou sem bordaduras, ideais para o paisagismo de pequenos jardins, touceiras isoladas ou em grandes áreas. Atualmente a empresa comercializa cerca de 300 mil mudas/ano, o que a posiciona como a maior produtora da América Latina.

Divulgar a beleza dos hemerocallis

Para tornar a espécie mais conhecida e garantir mercado consumidor, a empresa participa de feiras, exposições e congressos, pensando em aumentar sua atuação e em colaborar para o desenvolvimento do setor da floricultura.

Em 2002 a Agrícola da Ilha inaugurou seu próprio veículo de divulgação, o Festival Brasileiro de Hemerocallis, realizado anualmente na propriedade. O evento é aberto ao público apaixonado por natureza e aos profissionais do paisagismo, que podem visitar os jardins e também os campos de produção.

Cada edição do festival apresenta conceitos inovadores para o paisagismo com hemerocallis, expondo a espécie isolada ou em grandes formações para o deleite de todo tipo de observador, além de aliar a espécie a outras da flora tropical. E há espaço específico para colecionadores de cultivares raras, com destaque para as norte-americanas.

As cultivares lançadas recebem nomes de personalidades que se destacam pela contribuição científica ou pela atuação em prol do desenvolvimento da floricultora brasileira, e outras pessoas ligadas à literatura e à botânica. Familiares, amigos e as cidades que promovem a qualidade de vida por meio das flores também são homenageados.

Atualmente o evento recebe cerca de 20 mil visitantes de todo o Brasil e de vários países das Américas e da Europa. É um importante incremento ao turismo de Joinville, conhecida como "Cidade das Flores" por causa da cultura dos jardins residenciais trazida com a imigração alemã no século XIX e pela tradicional Festa das Flores.

A empresa permanece aberta o ano todo para as famílias que buscam um local de lazer junto à natureza. E mesmo os apaixonados pelo paisagismo podem apreciar os jardins em seus diferentes momentos.

Está presente em iniciativas como a revitalização de praças e pontos turísticos, e é parceira de prefeituras, instituições governamentais, instituições de ensino e associações. Dario Bergemann, sua família e equipe contribuem para a educação ambiental recebendo crianças de escolas públicas, pesquisadores e estudantes de universidades para o desenvolvimento de atividades educacionais e científicas.

Tudo isso com o objetivo principal de fazer com que mais pessoas conheçam e se apaixonem pelos Hemerocallis.


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